Resenhas de Mistério: Cartada Final - John Grisham

“Cartada Final” é um livro de Josh Grisham e foi enviado pela TAG Inéditos no mês de setembro. “The Guardians” no original aborda o tema de condenações injustas, acompanhando um grupo americano chamado Guardiões da Inocência, que trabalha conseguindo a anulação de condenações de prisioneiros inocentes. O caso principal do livro é de Quincy Miller, um homem negro preso há vinte e dois anos pelo assassinato de um advogado, quando as provas contra ele eram quase todas forjadas pela própria polícia.



O livro é descrito como um suspense e imaginei que fosse existir um mistério maior, com ameaças e revelações, mas na realidade o único suspense real é só se conseguirão provar a inocência de Miller ou não. O autor já trabalhou como advogado e isso fica claro em sua escrita, com o processo judiciário muito próximo do real. Por um lado, é legal ver a realidade, por outro existe um motivo pelo qual a maior parte dos autores prefere romantizar e criar histórias mais excitantes: o processo real é chato demais.


A primeira parte do livro gasta muito tempo tentando convencer o leitor - e as pessoas que o protagonista, o advogado de Quincy, encontra - de que é possível uma pessoa ser condenada injustamente. Não sei se é uma questão cultural, mas isso sempre foi óbvio para mim e fiquei confusa com tantos personagens questionando isso. Em questões filosóficas, também me incomodou um pouco que o livro perde a oportunidade de questionar o sistema judicial como um todo, ele fala um pouco, mas de forma ainda bem conservadora. Como se o sistema funcionasse em geral só às vezes que desse errado porque essas pessoas, muito raras, fossem condenadas injustamente, quando na verdade o sistema inteiro está quebrado. Ele ajuda uma pessoa, mas ao mesmo tempo colabora com a polícia e com o FBI, ajudando então a manter o próprio sistema que está lutando contra. Poderia ter sido mais crítico em relação a isso.


Mas tudo bem, esse não é um livro teórico, não estou aqui para debater a necessidade ou utilidade das prisões ou da polícia e sim para ler um mistério interessante. Como mistério o livro se sustenta? Não. Ao contrário do que a sinopse dá a entender, não existe muito um mistério. Desde o início do livro, é sabido que existia tráfico de drogas no local e que o advogado assassinado representava alguns traficantes e, provavelmente, o verdadeiro assassino estava envolvido nisso. Tem algumas revelações sim, mas elas não são muito levadas adiante e, honestamente, muitas coisas nem são resolvidas, ficam apenas como hipóteses.



Entendo que o objetivo do livro não tenha sido esse, vendo apenas pelo enredo é claro que a história que o autor quer contar é sobre o processo de libertação de um inocente. Quem errou foi o pessoal do marketing de fazer parecer ser algo que não é. Os personagens são interessantes e, ok, realmente tiveram algumas partes interessantes sobre como os advogados tentavam conseguir provas novas, perseguir pistas e convencer testemunhas antigas a retirarem seus depoimentos, mas o maior problema é que tudo acontece de forma muita lenta.


No final, não é que eu não tenha gostado do livro, achei ele bem escrito e gostei dos personagens, mas senti que faltava alguma coisa. Fiquei esperando ter alguma revelação no final que simplesmente não chegou, e fiquei “ok, é isso?”. Sinto que talvez seja um bom livro para quem não acredite que existem pessoas presas inocentes ou que seja possível provar sua inocência, caso essas pessoas existam, mas para quem já chegou nesse ponto, muitas vezes sinto que só ficava “sim, eu sei disso, e aí?”.


Nota: ★★★☆☆


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