Resenha (sem spoilers): O Golpista do Tinder (2022)


Em tempos de Covid-19, a forma como interagimos foi se digitalizando. Antes mesmo da pandemia, porém, o Tinder já era um sucesso para solteiros e solteiras ao redor do mundo. O aplicativo de namoro permite que seus usuários conheçam pessoas ao redor do mundo com facilidade. Foi assim que o destino se tornou coisa do passado: o negócio agora é o match. É claro que nem tudo são flores, mas quem espera conhecer um golpista no app...? Ninguém.


Ghosting. Catfishing. Esquisitões. Imagens íntimas não solicitadas. Qualquer um que navega na internet por tempo suficiente vai acabar dando de cara com um deles. E claro, também vai aprender a identificar sinais suspeitos. O que é que torna "O Golpista do Tinder", documentário lançado em fevereiro de 2022 pela Netflix, tão surpreendente. De fora, parece muito óbvio o que estava acontecendo. Mas, para as pessoas envolvidas no golpe, nem tanto.


A história é a seguinte: um homem e uma mulher dão match no Tinder. Ele diz que é do ramo dos diamantes, fala da sua família e a convida para um café em um hotel de luxo. Ela, que não é boba nem nada, joga o nome dele no Google. E surpreendentemente, tudo que ele diz parece ser verdade. Lá estão as fotos; e lá está o nome da empresa. Então, ela vai. É o início de um sonho. O que essa mulher não esperava era que isso fosse virar um pesadelo.


Agora, imagine que isso não ocorreu só com uma mulher, mas com várias.


"O Golpista do Tinder" acompanha a história de três vítimas diferentes de um golpista internacional. Não só vemos passo a passo o modus operandi do criminoso como também acompanhamos uma operação jornalística inteira que buscava expô-lo ao redor do mundo. A forma como a história é apresentada, de forma cronológica, é cativante. O mais interessante, porém, é a atenção dedicada às vítimas e ao ponto de vista (e os sentimentos) delas.


A conclusão, como há de ser em casos que vitimam mulheres, não é 100% satisfatória. Mas esse é o risco de propor-se a ver uma história de #truecrime: a vida não é um filme e os finais em aberto, tristes, inconclusivos etc. são um reflexo disso. Ainda assim, é impossível não reconhecer a força de cada uma dessas mulheres, seja ao falar de suas experiências ou por causa de suas ações.


Comece o documentário "O Golpista do Tinder" pelo amor ao #truecrime, fique pelas mulheres determinadas a impedir um homem de vitimar ainda mais mulheres. Nota: 3,5/5.

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